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Professor da Universidade Federal de Santa Maria. Campus Cachoeira do Sul. Àrea de Topografia e Geoprocessamento

A riqueza de uma pessoa

"Sorria, admire tudo que estiver a sua volta por que você está vivo e mundo precisa de você."
O profissional geógrafo vem para auxiliar o empresário, agricultor e órgãos públicos a realizar seu trabalho planejadamente e com sucesso dentro das novas exigências de mercado e da legislação.

terça-feira, 5 de julho de 2011

A importância da percepção na relação sociedade/natureza: uma discussão no âmbito da geografia

No dia-a-dia quando paramos para refletir sobre o que acontece a nossa volta, nos deparamos com diversas perguntas sem respostas. Em busca de uma solução muitas vezes inventamos respostas, o que vem passar a ser verdade até que nos deparamos com uma situação contraria.

Uma pergunta que sempre me vem a cabeça é,´´o que é a vida?´´ Essa é uma pergunta difícil de ser respondida, para alguns é apenas um simples fenômeno da natureza, onde fazemos parte de uma transformação orgânica. Dizem que há bilhões de anos atrás, moléculas inorgânicas se misturaram, uniram-se ao simples acaso e desde então existem os seres vivos, resumidamente. No começo eram seres microscópicos e depois de bilhões ou milhares de transformações começou a nossa existência. Mas há também a teoria da bíblia, que diz que o homem foi feito de barro. Bem se associarmos essa teoria a anterior, talvez pudéssemos dizer que ela tem a sua verdade. Por que Deus sendo um ser supremo de inteligência inigualável. Foi capaz de transformar e fabricar-nos a partir do nada, ou seja, de moléculas inorgânicas. Assim como o carro, o robô, o computador foram criados pelo homem, o homem também foi criado por alguém, caso contrário talvez não seria tão perfeito.

Essa discussão refere-se a duas maneiras de interpretar nossa existência e a existência do mundo real. A primeira materialista e a segunda dualista.

O homem faz parte da natureza, ele é apenas um elemento dentro de tantos outros, mas nenhum outro consegue influenciar na natureza de tal maneira que aconteça modificações gigantescas em todo o ciclo que existe na biosfera e na litosfera. Suas ações vêm, principalmente influenciar na velocidade em que os processos de dinâmica superficial ocorrem, podendo acelerá-los ou até mesmo diminuir a velocidade, dependendo dos seus interesses.

Nesse sentido trabalhou-se na disciplina de acima citada a importância do conhecimento de paisagem, geomorfologia e o diversos modelos de estudo destas relacionando o contexto social. Um enfoque de assuntos existentes sobre a relação sociedade e natureza nas discussões geográficas.

Discussões dicotômicas sobre ciência, paisagem e mente humana

Para uma discussão inicial traz-se o texto de Margarida Penteado (1981), onde é contextualizada a geomorfologia em relação ao contexto social. Penteado trás algumas discussões em relação a dicotomia gerada entre o natural e o social, a Geografia Física e a Geografia Humana. Destaca-se que os geógrafos mais representativos não se rotulam em geógrafos humanos ou geógrafos físicos. Diante disso, essa dicotomia tende a ser superada a partir do crescente conhecimento adquirido sobre ambas, tanto individualmente com as ciências sociais, da geologia, da história e até mesmo da própria geografia.

Assim esse binômio homem-natureza torna-se ultrapassado na geografia, sendo que não se pode extrair o homem do restante da natureza, nem o contrário, pois essa relação é indissociável, não importando de que forma são abordados.

Embora tem-se como ultrapassado esse binômio, não se pode afirmar na ciência, como um todo, que existe um método universal para estudá-lo. As ciências sociais tendem a enfatizar os aspectos humanos em suas pesquisas. Já geologia tende a enfatizar os aspectos naturais. Em meio a essas discussões a geografia surge como uma ciência una trazendo a integração homem-natureza.

São discussões muito amplas que procuram uma harmonização das questões e métodos de investigação levantada pelas diversas ciências. A geografia é colocada como a ciência mais adequada para estabelecer o diálogo sobre sociedade/natureza nas diversas ciências. A ampla carga de disciplinas da ciência geográfica permite realizar investigações ecológicas relacionada as estruturas territoriais dos sistemas técnico-naturais (urbanos, industriais, agrícolas, florestais, recreativos, etc.) e a influência das atividade do homem sobre o meio ambiente.

Podemos analisar os diversos níveis de que “regulam” a dinâmica do planeta, isoladamente, porém se um é afetado todos os demais acabam por sofrer alterações. Na tentativa de abranger todas as questões ambientais surge o conceito de ecológico e estudos com uma abordagem sistêmica sobre as diversas temáticas existentes.

Bertrand (1972), coloca o significado de paisagem e meio, onde o primeiro é a combinação dinâmica, portanto instável de elementos físicos, biológicos e antrópicos que, reagindo dialèticamente, uns sobre os outros formam um conjunto único. Já o segundo está mais associado ao significado de ecológico, onde organismos vivos realizam trocas de energia e matéria. Seus estudos definem um sistema de classificação que comporta seis níveis temporo-espaciais: de uma parte a zona, o domínio e a região, esses como unidades superiores e; de outra parte, o geosistema, o geofácies e o géotopo, como unidades inferiores.

A análise da paisagem física tem por vistas fazer o levantamento das condições de uma série de variáveis ecológicas como clima, solo, geologia, topografia, hidrografia, vegetações espontâneas e cultivadas, fauna selvagem e doméstica, bem como sua interação com as variáveis socioeconômicas, uso da terra, etc.

Ao avaliar que o meio ambiente é formado por elementos interligados e interdependentes, a análise de sistemas compreende a abordagem metodológica mais adequada para estudar e explicar a estrutura e as mudanças nas paisagens. Deve-se estudar as conexões entre os componentes da natureza, além da morfologia deve-se ter uma preocupação com a dinâmica das subdivisões.

Os estudos realizados na geografia, tem buscado interpretar essas conexões, bem como apresentá-las através de uma linguagem que possa ser compreendida por todos. Para conseguir alcançar esse objetivo deve-se primeiramente compreender como a mente irá perceber o mundo a sua volta, tanto ao pesquisador observador quanto ao leitor que irá buscar o conhecimento gerado pela pesquisa. Isso envolve elementos materiais e imateriais ligados por diferentes graus de recepção de cada indivíduo. Discussão essa que envolve o conjunto homem-natureza e todo seu processo evolutivo. Além disso, a partir da mente é que o homem pode adquirir consciência de seus atos, aos quais através de processos educativos podem auxiliar no controle da agressiva do homem sobre o meio natural.

Segundo SEARLE 2000, a partir das primeiras décadas do século XX, tentou-se trazer uma maior integração entre o material e o imaterial. Com a Segunda Guerra Mundial os intelectuais que pensavam a respeito disso ficaram abalados psicologicamente. Posteriormente a mecânica quântica vem auxiliar mais, no modo de observar e de percepção, onde coloca que o observador consciente, no próprio ato de observar, esta em parte criando sua própria realidade que observa. A quântica surge como um desafio para a visão iluminista. A mecânica quântica mostra uma indeterminação na relação entre os níveis de macro e de micro.

Ao longo da história o homem passou por vários avanços de conhecimento. A medida que nosso conhecimento avança sobre algo e que o conhecimento adquire uma posição-padrão, ou seja, algo que torna-se conhecido e aceito por todos, passamos a um novo paradigma para novamente encarar novos desafios. Estamos sempre em busca do que não conhecemos, tentando comprovar a existência daquilo que acreditamos existir, tanto ciência quanto religião.

Considerações finais

Diante do processo evolutivo da Terra e da Vida nela presente, ocorreram diversas transformações, as quais o homem tem sua participação acelerando os processos. Nesse sentido tem-se avançado, principalmente através das diversas ciências, o conhecimento sobre essa evolução, desde o macro ao micro cosmo e vice-versa. Conhecimentos que nos levam a analisar a própria mente humana e sua capacidade de cognição a essas transformações.

No âmbito Geografia é de grande importância entender a relação sociedade/natureza, pois hoje não existe natureza que não tenha sofrido a influência humana, através dos diferentes meios de atuação antrópica sobre os recursos naturais. A transformação do meio natural pelo homem em áreas com fragilidades ambientais resulta na degradação ambiental.

A falta de conhecimento da grande maioria da humanidade, sobre sua capacidade de influenciar negativamente sobre o meio natural é um dos principais problemas que vem aumentando o desequilibro da dinâmica natural. Poucos são os que refletem sobre o resultado de sua ação, e mesmo os que refletem não tem mudado seu modo de agir para que se modifique o atual contexto da relação sociedade/natureza. As ações negativas independem de classe social, étnica ou de sistema econômico. Temos maus exemplos em todos os setores citados. A desculpa é sempre a mesma “ a falta de alimento”, mas já se sabe que a quantidade produzida está certa, o que há de errado é a distribuição e o desperdício.

Portanto as diversas atuações negativas do homem sobre as dinâmicas superficiais acabam por alterar a paisagem negativamente e aceleradamente, mais do que a capacidade natural possui para manter o equilíbrio dinâmico da Terra. Isso ocorre, principalmente, devido á falta da verdadeira capacidade de percepção do homem relacionar sua prática, de modo que não agrida o meio natural e nem a própria existência da vida humana neste planeta. Pois para o prolongamento da existência da vida humana na Terra, necessita-se de manter o maior equilíbrio harmonioso possível na relação sociedade/natureza, minimizando ao máximo os impactos ambientais.

Gerson Jonas Schirmer

sexta-feira, 18 de março de 2011

A IMPORTÂNCIA DO GEÓGRAFO NAS DISCUSSÕES DA GEOMORFOLOGIA NO CONTEXTO SOCIAL

O texto está baseado nas discussões feitas por Margarida Penteado 1981, buscando fazer uma revisão conceitual, metodológica e filosófica com intuito de situar qual posição da geomorfologia dentro da ciência geográfica.

Penteado trás algumas discussões em relação a dicotomia gerada entre o natural e o social, a Geografia Física e a Geografia Humana. Destaca-se que os geógrafos mais representativos não se rotulam em geógrafos humanos ou geógrafos físicos. Diante disso, essa dicotomia tende a ser superada a partir do crescente conhecimento adquirido sobre ambas, tanto individualmente com as ciências sociais, da geologia, da história e até mesmo da própria geografia.

Coloca-se como ultrapassado o binômio Homem-Ambiente somente como sinônimo de natureza, mas no entanto acredita-se que não quando se fala em ambiente como um complexo de relações físicas, naturais, biológicas e sociais. Ora o ambiente como esse complexo de relações por si só já está com essa dicotomia ultrapassada.

Seguindo as discussões destaca-se as reações entre relevo e sociedade. O relevo é colocado sob influências climáticas, abrangendo discussões sobre as características superficiais, deixando de lado a influência das características subsuperficiais.

Quanto a atuação do homem sobre o meio natural, segundo o texto, “depende do seu nível da organização social, das diferenças culturais, do grau de desenvolvimento tecnológico e da vitalidade da economia.” Porém esqueceu das potencialidades e fragilidades de determinado espaço o qual pode influenciar variando a necessidade de um povo.

A realidade geográfica brasileira assemelha-se, segundo o texto, de acordo com os demais países das zonas intertropicais. Onde destacam-se fragilidades tropicais, discussões herdadadas de raízes coloniais. A deterioração ambiental nessas zonas advém de diversos fatores, mas principalmente a falta de consciência ambiental e educação qualificada. Na geografia e o meio ambiente procura analisar os problemas ambientais no país. Colocando o as componentes do espaço como iguais em todo o mundo, diferenciando apenas pela combinação entre eles. Destaca que a função do geógrafo é estudar as relações que conformam as várias regiões da Terra. Sendo assim o geógrafo deve atuar como um intermediário entre as ciências físicas e sociais.

A relação entre a geografia e a geomorfologia, é segundo o texto analisado de acordo com processos superficiais, no entanto não se observou nenhuma inclusão dos atuantes subsuperficiais. Na discussão entre meio ambiente e geomorfologia tem-se colocado ao meio ambiente dividido em dois componentes: Natural ou potencial, no entanto não se falou em fragilidades ambientais, pois não se tem o mesmo nível tecnológico alcançado por todos para ser tratar apenas de recurso ou potencial.

Fala-se em desenvolvimento a partir de geração de tecnologia próprias de cada meio natural e social, mas não se comenta em com clareza de como atingir esse desenvolvimento.

Comenta que sob o prisma antropocêntrico o relevo é sempre um recurso natural. Destaca que o geomorfólogo deverá ser um profissional no sentido de aplicar o seu conhecimento nos problemas práticos para ganhar seu sustento. Desse modo os mapas geomorfológicos sempre devem ser elaborados diretamente aplicáveis aos problemas. Nesse aspecto o geógrafo exerce um papel importante subsidiando outros profissionais como: arquitetos, engenheiros, economistas, biólogos e físicos. Um exemplo prático disso está os acidente relacionados com as usinas nucleares do Japão. Foi ignorado os problemas que podem surgir se não levarmos em conta a geomorfologia no seu contexto amplo, levando em conta as variáveis superficiais (solo, vegetação, hidrografia, relevo e clima), bem como as variáveis subsuperficiais (geologia e tectônica de placas). Essas variáveis não podem ser analisadas apenas em suas partes, mas sim no seu conjunto de forma sistêmica. Em Angra foi completamente ignorada a questão geomorfológica no contexto social, pois as usinas foram instaladas entre morros e próximo a uma grande concentração populacional. Pois bem se ocorrer um eventual deslizamento massivo nesses morros próximo, ou algum outro tipo de acidente o número de pessoas em situação de vulnerabilidade é enorme. Além disso, não podemos ignorar que o Brasil não possui todos os recursos que possui o Japão.

Portanto adquirindo uma visão sobre estudos geomorfológicos e problemas ambientais a partir da abordagem sistêmica percebe-se que os problemas ambientais no Brasil estão relacionados principalmente a falta educação e consciência ambiental, interesses políticos e econômicos, e falta de colocar os problemas ambientais como prioridade para preservação da vida. Nesse sentido o geógrafo deveria receber mais reconhecimento e ter maior participação nas discussões interdisciplinares. È um profissional capacitados para diagnosticar e prognosticar sobre aspectos naturais e sociais do espaço de maneira integrada, com o auxílio da geomorfologia no contexto social. As discussões sobre ecologia, educação ambiental e desenvolvimento sustentável, muitas vezes tornam-se estéreis por falta desse profissional em tais discussões. A valorização e participação do geógrafo pode auxiliar no sucesso e segurança ambiental de um empreendimento.

Gerson Jonas Schirmer